Notícia de verdade? É na Superfan!

Crianças e adolescentes podem usar Mounjaro? Quando é indicado?

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, o uso do medicamento Mounjaro para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos no Brasil.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (22), o uso do medicamento Mounjaro para o tratamento do diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes de 10 a 17 anos no Brasil.

Número de adolescentes e crianças com diabetes tem crescido no Brasil (Freepik/Freepik)

A aprovação da Anvisa chega após a conclusão dos estudos recentes que atestaram segurança e eficácia da substância para esse público.

Até então, os tratamentos dessa linha disponíveis no país para o público infanto-juvenil eram apenas medicamentos como os princípios ativos liraglutida e a semaglutida (do Ozempic), que atuam somente no receptor do hormônio GLP-1. O Mounjaro atua também em outro hormônio, o GIP. Agora, a bula do medicamento o indica para os mais jovens somente para o tratamento de diabetes, mas não para a obesidade, embora as duas condições, com frequência, ocorram juntas.

“Além disso, a autorização é apenas para casos de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 inadequadamente controlados com outros medicamentos e,como para adultos, a prescrição depende de receita médica”, também alerta Cintia Cercato, coordenadora do Departamento de Obesidade e Síndrome Metabólica da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).

Para os médicos, a aprovação é um avanço importante para o tratamento dos mais novos. “Ter no arsenal terapêutico uma medicação com maior potência voltada à essa população é muito significativo, especialmente porque o número de crianças e adolescentes com diabetes tipo 2 tem crescido“, explica o endocrinologista Paulo Miranda, coordenador internacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

De fato, segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), cerca de 213 mil adolescentes vivem com a doença no país, enquanto outros 1,46 milhão estão em situação de pré-diabetes.

Além disso, estima-se que cerca de um terço das crianças diagnosticadas com diabetes tenham o tipo 2 da doença, que costuma ser provocado pelo excesso de peso, sedentarismo e envelhecimento.

De acordo com a entidade, esse aumento de casos está diretamente relacionado ao também crescimento da obesidade infantil no país. Atualmente, um em cada três adolescentes brasileiros apresenta excesso de peso.

Como o medicamento age?

No estudo que levou à aprovação do Mounjaro para crianças e adolescentes, os participantes passaram por exames de hemoglobina glicada, um indicador que mostra como esteve o nível de açúcar (glicose) no sangue de uma pessoa nos últimos dois a três meses.

Os resultados indicaram que, após 30 semanas de uso do medicamento, houve uma queda média de 2,2 pontos percentuais nesse marcador.

Isso significa que muitos adolescentes saíram de um nível considerado alto (por volta de 8%) para valores mais próximos do recomendado. Entre os que usaram 10 miligramas de Mounjaro, cerca de 86% atingiram a meta de controle, com o valor da hemoglobina glicada igual ou menor a 6,5%.

O remédio também mostrou impacto no peso. Nesse caso, com a maior dose, foi observada uma redução média de 11,2% no índice de massa corporal (IMC) em cerca de 30 semanas.

Já quanto à duração dos efeitos, tanto o controle da glicose quanto a melhora no IMC se mantiveram ao longo de um ano de acompanhamento, sugerindo benefício prolongado.

Combate à banalização

Para especialistas, a aprovação também levanta preocupações em relação ao risco de uso fora das indicações aprovadas.

Desde que essa classe de medicamentos — indicados para tratar obesidade, diabetes tipo 2 e sobrepeso com comorbidades —, ganhou popularidade como “canetas para emagrecer”, o mercado ilegal e até mesmo a prescrição fora das indicações corretas vêm crescendo, alimentando um setor paralelo já milionário.

Em um cenário de forte pressão estética, especialmente entre adolescentes, é importante conscientizar os pais sobre os perigos do uso sem recomendação.

“Devemos lembrar que essas medicações são desenhadas para tratar dessas crônicas metabólicas complexas e importantes do ponto de vista de impacto sobre a qualidade e o tempo de vida das pessoas”, ressalta Miranda.

Do contrário, há um desequilíbrio entre risco e benefício. Afinal, para quem tem diabetes tipo 2, as vantagens (controle da glicose e redução de complicações) tendem a superar os riscos.

Já para crianças e adolescentes saudáveis, assim como ocorre com os adultos, não há evidência robusta de segurança e eficácia – e os efeitos colaterais (náusea, vômito, diarreia) continuam existindo.

Por fim, antes de pensar em aplicar medicações que afetam o metabolismo dos filhos, os pais devem sempre consultar um médico para avaliar se há possíveis impactos no crescimento, puberdade ou comportamento Alimentar.

Assim, o que é tratamento em um contexto pode virar exposição desnecessária a risco em outro, incluindo riscos à saúde mental.

“Para crianças e adolescentes, é mais importante ainda que a abordagem da obesidade seja focada na melhora da qualidade de vida e trabalhada em conjunto com acompanhamento psicológico”, avalia Miranda.

“Se não nos atentarmos a isso, aumentamos o risco de distúrbios de imagem e alteração dos hábitos alimentares”, completa.

O diabetes em jovens

O diabetes tipo 2 é a forma mais comum da doença, mas costuma afetar principalmente adultos, porque depende de um conjunto de alterações metabólicas que levam anos para se acumular.

Ele ocorre quando o organismo desenvolve resistência à insulina, hormônio responsável por regular o açúcar no sangue. Isso é geralmente desencadeado por fatores como sobrepeso, má alimentação e sedentarismo.

Diferentemente, no diabetes tipo 1, é o sistema imunológico que ataca e destrói as células do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina, fazendo com que o corpo praticamente deixe de produzi-la.

Assim, ele é uma doença autoimune que costuma se manifestar na infância ou adolescência, exigindo desde cedo o uso diário de injeções de insulina.

Apesar de historicamente associado à vida adulta, o diabetes tipo 2 vem crescendo entre crianças e adolescentes no Brasil e no mundo.

Recentemente, em um estudo que avaliou dados de 37.854 adolescentes brasileiros entre 12 e 17 anos, foi visto uma prevalência de diabetes tipo 2 e pré-diabetes foi em 3,3% e 22% dos jovens, respectivamente.

Além disso, a pesquisa também mostrou que 8,4% tinham obesidade e que 20% deles apresentavam síndrome metabólica.

Para os autores, os números apontam para uma subnotificação de casos, mas já mostram que a doença se tornou um desafio de saúde pública não só para os adultos no Brasil.

Assim, os dados apontam para a importância de novos tratamentos para essa faixa etária e a necessidade de ampliação do rastreamento e do diagnóstico precoce.

Curtiu? Então Compartilhe!

Compartilhe no Whatsapp
Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Compartilhe no Telegram

Veja Mais ++

SuperFan FM – Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.

Usamos cookies para personalizar conteúdos e melhorar a sua experiência de acordo com a nossa Política de Privacidade.