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Produtores e artistas de musicais lutam em nova realidade

Entretenimento 27/10/2019/ 21:28:26
Produtores e artistas de musicais lutam em nova realidade

Nos últimos 13 anos, o público se acostumou a ver a atriz e produtora Claudia Raia liderando elencos numerosos, em musicais orçados em vários milhões de reais. Com a nova configuração das leis de incentivo, que agora limita a R$ 1 milhão o valor máximo a ser captado por projeto (antes eram R$ 60 milhões), o mercado busca se reorganizar, o que vai limitar o número de grandes produções em cartaz. Mas, enquanto negocia sua participação em um desses espetáculos, Claudia decidiu pegar a estrada para estrelar uma comédia que, embora de orçamento reduzido, mantém a aura dos grandes musicais.Trata-se de Conserto Para Dois (com S mesmo), musical em que ela divide o palco apenas com seu parceiro na vida e na arte, Jarbas Homem de Mello. Junto, a dupla interpreta 11 personagens e é acompanhada apenas por um pianista, Guilherme Terra, que controla também a gravação das músicas cantadas ao vivo por Claudia Jarbas. "É um formato diferente daquele com o qual nos acostumamos nos últimos anos", observa a atriz, que optou por começar a temporada pelo interior do País, iniciada no sábado, 26, em Uberlândia. "Dentro das atuais dificuldades, estamos tentando nos reinventar."Esse, aliás, é o destino da maioria dos artistas de musical. "Em 2020, teremos menos espetáculos que neste ano e muitos estão garantidos porque a captação foi aprovada em 2018, ou seja, sob a antiga lei", observa Marllos Silva, produtor e diretor — ele assina a direção geral de Madagascar. Conhecedor do mercado, ele prevê não apenas a redução de empregos como também no valor dos salários. "E, quem antes contratava dez pessoas, agora poderá chamar apenas uma."Isso porque, com a redução do valor de incentivos fiscais, musicais como O Fantasma da Ópera (que captou R$ 24 milhões), para buscar um exemplo extremo, tornam-se impraticáveis. "E agora, no final de sua temporada, quando já não usa mais a lei, o Fantasma está desobrigado de oferecer ingresso gratuito ou a preço popular, além de não ter sessão com acessibilidade, ou seja, uma contrapartida que favorecia um público de baixa renda", completa Marllos."A mudança na Rouanet praticamente inviabiliza qualquer investimento de vulto", observa a produtora Stephanie Mayorkis, da EGG Entretenimento e parceira da IMM Esporte e Entretenimento, responsável por espetáculos como o recente Sunset Boulevard. "Se nada for alterado (temos a chance de um ajuste), o musical torna-se o segmento cultural mais drasticamente prejudicado, com pelo menos 13 mil desempregados."Como em um efeito em cadeia, o enxugamento nos investimentos poderá também atingir setores que vivem ao redor dos musicais, como as escolas formadoras de artistas. "São entre 2 mil e 3 mil alunos apenas na cidade de São Paulo", contabiliza Marllos Silva, lembrando que há ainda estabelecimentos em outras seis capitais, além de Brasília. "Nem todos formados terão chance de integrar algum elenco."

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