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Exposição em São Paulo homenageia Marília Mendonça e reúne objetos pessoais e registros inéditos da cantora

 

Imediato News / Para curadora da mostra, Isa Pessoa, Marilia foi um verdadeiro fenômeno cultural brasileiro – Foto Paulo Pinto

A trajetória de Marília Mendonça, uma das maiores vozes da música sertaneja brasileira, será celebrada em uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo. Intitulada Marília Mendonça – Sentimento Louco, a mostra começa nesta sexta-feira (9) e permanece aberta ao público até 29 de novembro, na Avenida Europa, na capital paulista.

A exposição é a primeira grande mostra dedicada à vida e à carreira da cantora e compositora, conhecida como a “rainha da sofrência”. Morta em 5 de novembro de 2021, aos 26 anos, em um acidente aéreo em Minas Gerais, Marília deixou um legado musical marcado por letras que abordavam relacionamentos, traições, abandono e superação sob a perspectiva feminina.

Para a curadora Isa Pessoa, a artista representou um fenômeno cultural que ultrapassou os limites do sertanejo e modificou o espaço ocupado pelas mulheres no gênero musical.

“Ela conseguiu desenvolver histórias e poemas reais sobre mulheres reais, com as quais ela convivia”, afirmou a curadora. Segundo Isa, muitas das composições foram inspiradas em experiências vividas por pessoas próximas à cantora, como familiares e amigas.

Objetos pessoais e experiência imersiva

Imediato News / Exposição mostra o quarto da cantora, com peças originais – Foto Paulo Pinto

A mostra reúne objetos pessoais, roupas, sapatos, colares, diários, óculos e violões, além de registros inéditos que ajudam a contar a história da artista, desde a infância até a consagração nos palcos brasileiros.

Os ambientes foram concebidos a partir de títulos de músicas que marcaram a carreira de Marília. Um dos espaços, chamado Esqueça-me Se For Capaz, apresenta lembranças pessoais da cantora. Já o ambiente Sentimento Louco, que dá nome à exposição, oferece uma experiência audiovisual imersiva.

Entre os destaques está a reprodução do quarto da artista, montada com objetos originais, como cama, cobertor, livros, perfumes e óculos. A proposta é aproximar os visitantes da intimidade de Marília e apresentar aspectos de sua vida para além dos palcos.

De acordo com Nelson Foerster, produtor e diretor artístico da exposição, o projeto também está relacionado à pesquisa realizada para um documentário sobre a cantora, previsto para ser lançado em uma plataforma de streaming na semana seguinte à abertura da mostra.

Para Foerster, a identificação do público com as letras foi um dos fatores que explicam o alcance da obra de Marília. As composições abordavam situações cotidianas e sentimentos compartilhados por mulheres de diferentes idades e realidades sociais.

Da composição ao sucesso nacional

Nascida em 22 de julho de 1995, em Cristianópolis, Goiás, Marília Mendonça começou a demonstrar interesse pela música ainda criança. Aos 11 anos, ganhou o primeiro violão, presente do avô, e passou a tocar na igreja. No ano seguinte, já compunha suas próprias canções.

Antes de se tornar conhecida como intérprete, construiu uma carreira como compositora. Ainda adolescente, foi contratada por Wander Oliveira, fundador da empresa WorkShow, e passou a escrever músicas gravadas por artistas conhecidos do cenário nacional.

Aos 18 anos, suas composições já faziam parte do repertório de nomes como Cristiano Araújo, Wesley Safadão e Henrique e Juliano. Posteriormente, decidiu interpretar as próprias canções e ganhou projeção nacional.

Marília se destacou por colocar as experiências femininas no centro das narrativas sertanejas. Músicas como Infiel ajudaram a consolidar sua identidade artística e ampliaram o espaço para relatos de mulheres que enfrentavam traições, desilusões amorosas e recomeços.

O empresário Wander Oliveira, que acompanhou os primeiros passos da cantora, avalia que sua contribuição ultrapassou as fronteiras do gênero sertanejo. Ele também destacou a importância do projeto Todos os Cantos, no qual Marília percorreu diferentes estados brasileiros para gravar músicas inéditas e se aproximar do público.

Homenagem cinco anos após a morte

A exposição chega ao público às vésperas dos cinco anos da morte da cantora, lembrada por milhões de fãs pela força de suas composições e pela relação direta que estabeleceu com o público.

Para pessoas que conviveram com Marília, a homenagem reúne sentimentos de saudade e reconhecimento. Wander Oliveira afirmou que revisitar a trajetória da artista ainda provoca tristeza, mas também permite dimensionar a importância de seu trabalho.

A mostra busca preservar a memória de uma cantora que transformou experiências pessoais em sucessos populares e ajudou a redefinir a representação das mulheres na música sertaneja brasileira.

Por: Warley Costa | Portal Imediato

 

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