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Insight | A luta continua: violência contra a mulher é responsabilidade de toda a sociedade

 

No Brasil, somente no ano de 1827 as meninas foram autorizadas a se matricular na Escola Primária e, em 1879, puderam frequentar o Ensino Superior.

Após muita luta e debates, as mulheres brasileiras puderam ir às urnas no ano de 1932.

Trabalhar fora e ter salário sem a autorização do marido foi uma conquista que as mulheres só obtiveram a partir de 1962.

E é espantoso pensarmos que, em 2026, a luta continua, agora para nos mantermos vivas e proteger nossos filhos.

O Agosto Lilás nos lembra algo que deveria ser apenas uma lembrança do passado, mas, ao contrário, infelizmente nos fala de algo que ainda acontece, com uma frequência assustadora: a violência contra a mulher, que existe em vários níveis, desde a violência emocional, travestida muitas vezes de um excesso de cuidado ou menosprezando e humilhando a mulher, passando pela violência financeira e patrimonial, que mantém a mulher cativa na dependência financeira, se sentindo incapaz de sair de um relacionamento abusivo, e chegando ao extremo, quando o abusador não vê a mulher como um ser humano, mas como uma propriedade, alguém que não tem o direito de escolha, o direito de dizer não, algo que pode ser descartado e eliminado, de forma cruel e fria….

Dra. Bruna de Paula, em entrevista ao Podcast Café com Histórias, lembra que a violência está em todas as esferas, e que a vítima deve ser tratada como vítima, para não minimizar o crime e o criminoso.

Nossa luta agora é para mostrar à sociedade que, enquanto uma mulher estiver sofrendo qualquer tipo de violência, todas nós estaremos sofrendo.

Como disse o Dr. Roger Kühn, no podcast Café com Histórias: a violência contra a mulher não pode ser normalizada e cabe aos pais educar seus filhos para que cresçam aprendendo a importância do respeito à mulher.

E eu não poderia deixar de falar, como mulher e comunicadora que sou, que casos como o do pequeno Gustavo, em Palmas, onde um pai, para atingir a mãe, cometeu vicaricídio, nos traz repulsa e desejo de justiça, mas não pode ficar apenas nestes sentimentos. Temos que firmar o compromisso, como seres humanos, homens e mulheres de bem que somos, de não mais nos calarmos diante de qualquer tipo de violência contra vulneráveis. Esta bandeira deve ser da sociedade como um todo.

Como muito bem pontuou nossa secretária da Mulher, Suzana Salazar, precisamos estar atentos aos sinais de violência contra a mulher.

Este é um convite meu para você, para que juntos, homens e mulheres, possamos aumentar as fileiras da defesa contra qualquer tipo de violência contra a mulher. Podemos fazer isso ao apoiar projetos que valorizam a mulher e manter um olhar atento para perceber os diversos tipos de violência, porque aquele ditado antigo que dizia: “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher” não pode mais ser desculpa para fecharmos os olhos diante dos absurdos que têm acontecido.

Fica aqui o meu convite: essa batalha é nossa, de toda a sociedade.

Tereza Postigo
Colunista do Portal Imediato

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