


Aos 204 anos de independência, o Brasil poderia ser visto como um jovem senhor que ainda busca compreender a si mesmo: cheio de contradições, histórias, desafios e, sobretudo, esperança.
Comparado a muitas outras nações, ainda somos extremamente jovens, quase adolescentes. E, em muitos momentos, nos comportamos como tal: com desejos e atitudes difíceis de compreender, muitas vezes nos espelhando em realidades completamente diferentes da nossa, esquecendo-nos de olhar para o que somos e o que podemos ser.
Seguimos em busca de um futuro brilhante. Tentamos caminhar e crescer, mas continuamos divididos por questões que já deveriam ter saído do tabuleiro.
Somos um povo trabalhador, com vontade e disposição para construir um país melhor, mas que carrega uma máquina pesada capaz de desanimar até os mais perseverantes. O empregado culpa o empregador por suas dificuldades, enquanto o empregador sente, sobre os próprios ombros, o peso que dificulta o crescimento e o desenvolvimento.
Quando deveríamos nos unir para construir, permanecemos divididos.
E eu pergunto: a quem interessa essa divisão?
Nosso país, cheio de belezas e encantos, gigante pela própria natureza, à luz do céu e ao som do mar, mergulha em discussões intermináveis que não nos levam a lugar algum.
Somos contra ou a favor do Bolsa Família?
Por que não buscamos um consenso?
Que o benefício chegue, de fato, a quem precisa dele. Mas que, ao mesmo tempo, exista um esforço para criar condições capazes de oferecer a essas pessoas oportunidades de autonomia e crescimento.
Assistir a quem precisa e, ao mesmo tempo, criar condições para que essa pessoa possa construir sua independência, tendo de volta sua dignidade, deveria ser um objetivo comum.
Mas, mais uma vez, nos dividimos.
E eu pergunto novamente: a quem interessa essa divisão?
“Verás que um filho teu não foge à luta.”
E a área da saúde continua lutando para fazer cerca de 2,8 bilhões de atendimentos (sim, BILHÕES). 76% da população brasileira busca atendimentos pelo SUS todos os anos, um sistema integrado que merece reconhecimento por sua dimensão e importância, que é muitas vezes, e com razão, criticado pela ineficiência.
E então surgem perguntas:
Por que o atendimento não consegue ser mais eficiente?
Por que tantas vidas ainda esperam por procedimentos, exames e tratamentos?
Faltam profissionais qualificados?
Faltam investimentos?
Ou o problema está no caminho percorrido pelos recursos até chegarem onde o paciente está?
No meio de tantas perguntas, novamente nos dividimos.
E eu pergunto: a quem interessa essa divisão?
Em meio a tantas dificuldades, incertezas e desequilíbrios, talvez ainda seja possível acreditar que “um raio vívido de amor e de esperança à terra desce”.
Talvez possamos desenhar um sonho intenso a milhões de mãos.
Não precisamos esquecer nossas diferenças. Elas fazem parte de quem somos. Precisamos, sim, aprender a transformá-las em força, em diálogo e em alavancas para o nosso crescimento.
Que chegue o dia em que, entre outras mil, nossa Pátria Amada, terra adorada, seja iluminada pelo sol de um novo mundo.
E que possamos, finalmente, sentir um enorme orgulho de sermos chamados de brasileiros.
Por: Tereza Postigo | Colunista do Portal Imediato