
O cantor Murilo Huff entrou para a lista de vítimas do golpe aplicado por Ronaldo Torres Souza, conhecido como Alex Ronaldo, acusado de violar direitos autorais ao se apropriar de músicas de outros artistas. Entre as fraudes, duas canções gravadas por Huff foram publicadas no Spotify como se fossem de autoria de Almir Torres, um personagem fictício criado pelo próprio Ronaldo.
A investigação conduzida pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) detalha o esquema. Segundo a denúncia, Ronaldo assumia falsas identidades e publicava músicas sem autorização, registrando os lucros gerados nas plataformas de streaming. Ao todo, o MPGO identificou 27 casos de músicas de diferentes artistas que foram fraudadas.
“O nível de ousadia é tamanho que até a voz de Murilo Huff foi usada sem permissão”, cita um trecho da denúncia.
Como funcionava o golpe
A prática começou enquanto Ronaldo ainda era conhecido na cena sertaneja por sua carreira solo e por ter feito parte da dupla Alex e Ronaldo, que ficou famosa em 2016 com a música “Sexta-feira, Sua Linda”, impulsionada por uma publicação de Neymar.
Com acesso a grupos de compositores no WhatsApp, criados justamente para divulgar guias de novas músicas (gravações simples, apenas com voz e violão, usadas para apresentação prévia das canções), Ronaldo aproveitava o material compartilhado para se apropriar das composições.
Ele baixava as guias e, sem fazer qualquer produção final, lançava as músicas diretamente nas plataformas digitais. Para disfarçar a fraude, criava identidades fictícias, inventava capas de álbuns com uso de inteligência artificial e cadastrava os royalties diretamente em sua conta.
Além disso, mantinha uma fazenda de streaming, com pelo menos 21 computadores tocando as músicas em looping, para inflar os números de reprodução e aumentar os ganhos.
Casos envolvendo Murilo Huff
Entre as músicas afetadas estão “Modo Avião” e “Zero Real”, composições assinadas por autores como Ricardo, Ronael, Junior Pepato, Elcio de Carvalho, Rafael Augusto e o próprio Murilo Huff. Ambas foram lançadas de forma indevida por Ronaldo no dia 10 de dezembro.
Outro episódio que chamou atenção envolveu a canção “Eu Te Subestimei”. Embora a versão oficial tenha sido gravada por Zé Felipe, a fraude começou a ser descoberta quando a guia original, na voz de Murilo Huff, foi lançada como se fosse uma música do falso cantor Almir Torres.
A situação só veio à tona quando um dos compositores, ao ouvir uma playlist aleatória no Spotify, reconheceu a música e percebeu a fraude. Após a repercussão, a gravadora de Zé Felipe agiu para remover todas as versões ilegais.
A lista de identidades falsas
O Ministério Público apontou que Ronaldo usava uma extensa lista de pseudônimos para publicar as músicas. Entre os nomes estão: Aldo Vanuti, Alexandre Volts, Alla Rick, Amadeu Lins, Andre Allk, Antony Faisão, Augusto Travis, Barto Lima, Breno Cardoso, Caike Lobato, Carlos Brenan, Cesar Baroni, Diego Damian, Dinho Chaves, Elias Solto, Elizel Torres, Fabio Brits, Fabricio Garan, Fagner Fael, Gean Gal, Gean Loyola, Henrique Feitosa, Hugo Hulk, Junior Kobal, entre outros.
O que diz a defesa de Ronaldo Torres

Procurado, o empresário de Ronaldo, Sílvio França, confirmou que o cantor está colaborando com a Justiça. Segundo ele, Ronaldo tem passado por acompanhamento psicológico e está em tratamento terapêutico.
“Uma coisa é colocar um bandido na cadeia, que está acostumado com isso. Outra é prender uma pessoa que tem um passado limpo. Ele está cooperando com a Justiça. Vamos deixar que a Justiça decida, mas ele precisa voltar a trabalhar e a viver”, declarou França.
O empresário também criticou a repercussão do caso: “O Brasil tem tantas coisas mais importantes acontecendo…”, afirmou.
O processo segue em andamento na Justiça de Goiás. Ronaldo responde por violação de direitos autorais e outros crimes relacionados à fraude digital.